Educação continuada é caminho para superar déficit de profissionais de TI

 em Carreira, Profissionais de TI

O conceito toma forma quando um profissional tem seu progresso de aprendizado estendido para toda a vida, desenvolvendo-se entre profissões

O conceito de lifelong learning, ou educação continuada, não é tão novo, mas se faz cada vez mais presente. Dentre as áreas, a de tecnologia se destaca. Não somente pelo teor inovativo ou talentos descobertos, mas também pela falta de profissionais qualificados.

É, exatamente neste quadro, que a educação continuada tende a ganhar mais espaço. Um ótimo exemplo é a japonesa Masako Wakamiya, 83 anos, que desenvolveu o game Hinadan especificamente para o público idoso. Ela comprou o seu primeiro computador com cerca de 60 anos e, com o jogo, foi destaque em evento da Apple de 2017.

No quadro brasileiro, durante o “Startup Summit” especialistas estimaram que, hoje, há 460 mil vagas de emprego de TI abertas. Elas não são preenchidas, entre outros fatores, pela falta de pessoas com qualificação adequada. Ao mesmo tempo, segundo previsão da IDC, o mercado de TI deve crescer 10,5% em 2019 em comparação com o ano anterior.

O que falta nas contratações?

Hoje, estima-se que o número de desempregados no Brasil ultrapasse os 13 milhões. “O número de brasileiros desempregados tem várias causas, sendo uma delas a baixa qualificação e tempo de escolarização”, diz o diretor de pós-graduação da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), Adriano Pila.

No mercado de TI, Pila também explica que o déficit nas contratações ocorrem porque “existem muitas vagas em aberto, mas também muitas pessoas sem as exigidas qualificações”. Neste caso, existem vagas e pessoas procurando, mas também uma lacuna “entre qualificação exigida e qualificação profissional existente”.

Também existe o chamado “desafio geracional”. Mas, além disso, há uma notória mudança de comportamento em grandes empresas, startups e afins. Neste caso, processos automatizados têm ganhado tratamento diferenciado, fazendo com que profissionais adotem modelos diferentes para executar funções. A criatividade, em si, tem sido fundamental.

“Todas essas novas tecnologias são resultado de estudos e pesquisas recentes e outros de décadas passadas”, diz Pila. A Inteligência Artificial tem sido a base de técnicas de machine learning, big data, deep learning e, claro, da automatização.

Em educação continuada, “é imprescindível que as pessoas que queiram se manter nesse campo precisam dominar essas áreas para terem ocupações e carreiras de médio e longo prazo”. Desta forma, acrescenta Pila, o ideal para o profissional é “entender o que está na base da tecnologia para dominar o todo e não somente parte”.

Lifelong learning x Gerações

O conceito de se manter em constante atualização na educação pode, em teoria, evitar a “superespecialização”. O termo é ilustrado pelo filósofo e sociólogo Edgar Morin na obra “A cabeça bem feita” (1999). Nele, Morin defende um modelo de aprendizagem que “integre as várias áreas do conhecimento”.

Morin ainda cita que, em seu conjunto, o aprendizado multidisciplinar traz ao ser “a aptidão para contextualizar e integrar”. Segundo defende ele, esta é uma qualidade fundamental da mente humana, que precisa ser desenvolvida e não atrofiada.

Existe, de fato, a geração que já nasce com toda a tecnologia atual ao seu dispor. Esta (e as futuras) pode ter um maior interesse em áreas da tecnologia. Porém, ainda na visão de Pila, “tudo depende do interesse individual”. Ele ainda relembra que novas tecnologias não nos deixarão “sem movimento”, mas que “a grande questão é analisar e entender o que veio para ficar para poder se dedicar nos estudos”.

Voltando à superespecialização, conceito aplicado ao profissional “muito bom” em determinadas áreas e “não muito bom” em outras. A educação continuada tende a quebrar esta barreira pois desenvolve o pensamento, habilidades e capacidades em diferentes áreas.

Trazendo este conceito para o campo tecnológico, conseguimos traçar um leve paralelo com a japonesa Wakamiya. Antes de desenvolver, ela trabalhou por 43 anos no Mitsubishi Bank. Desta forma, como destaca Pila, da Facens, “não existe área privilegiada para uma faixa etária ou geração”.

A base de tudo

Mas, de fato, entende-se que não é fácil simplesmente iniciar um curso quando se ainda tem dezenas de outras funções e responsabilidades. Desta forma, a educação continuada apropria-se de meios e canais diferentes. Na raiz dessa compreensão, com base em tecnologias emergentes, é defendido para o futuro:

  • Infraestrutura de hardware e comunicação;
  • Quadro mais amplo para Inteligência Artificial;
  • Automatização de processos repetitivos;
  • Edge Computing na automação industrial, realidade virtual e afins;
  • Cibersegurança: avanços e proteções.

Estes são apenas alguns (poucos) exemplos. Aplicações práticas, de certa forma, ainda precisarão do entendimento da “base” da tecnologia e de muita criatividade. É aí, então, que há uma oportunidade do profissional se qualificar unindo suas bases de conhecimento. Neste caso, elas podem ser modeladas no processo de aprendizado contínuo.

Link: https://bit.ly/2YYnXuU

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